A chuva cai. O barulho sobre o telhado é abafado pelos meus pensamentos, que falam alto. Eles clamam teu nome. Quando foi, exatamente, que...
Meu vício
Sorria. Abriu a janela do ônibus com o cuidado de não criar suspense ao próprio coração: avistou as tão belas e distantes mon...
Meu interior
O sol bem ao centro do céu. O relógio marca exatamente 12h. A igreja, a três quadras dali, badala o sino em 12 longos toques. Baixinho...
Adeus, Anna.
Olha... veja só! Nossa primeira foto juntos. Já faz tanto tempo, não é mesmo? Quase me esqueci desse seu sorriso encabulado, ainda na dúvid...
Tanto tempo
Olha... veja só! Nossa primeira foto juntos.Já faz tanto tempo, não é mesmo? Quase me esqueci desse seu sorriso encabulado, ainda na dúvida se me levaria pra dançar numa boate ou melhor seria um romântico jantar. E depois, quando finalmente decidimos passear pela avenida, observando as estrelas, um saxofonista parou-nos para dedicar ao 'casal apaixonado' uma romântica canção. Você gaguejou ao tentar dizer que não somos um casal, mas nem conseguiu completar a frase. Depois olhou-me, corado, ainda sem saber o que fazer em seguida. Estava esfriando, então você colocou sobre mim seu casaco macio. Ah, como amei aquele momento. Estivemos tão perto de um beijo... e seu perfume era tão bom, impregnado no casaco sobre mim!
Já faz tanto tempo, mas ainda posso me lembrar do cheiro da comida do restaurante que você me levou. Hoje passo por aquela avenida e vejo uma casa de shows no lugar daquele restaurante. As pessoas hoje pensam que são felizes ali, mas jamais sentirão o êxtase de felicidade que tive quando, entre a entrada e o prato principal, você disse que não parava de pensar em mim desde que viu meu sorriso pela primeira vez, quando lhe vendi aquele par de meias e as gravatas de seda coloridas. Inacreditável como em apenas duas semanas você precisou comprar 30 gravatas diferentes. Acho que você jamais as usou.Já faz tanto tempo... e parece que não foi tempo suficiente para vivermos esse amor. Agora, que você se foi, tenho essas fotografias que me fazem chorar. Não de tristeza, mas pela certeza de ter vivido o melhor amor que eu poderia viver. Você se lembra, naquela noite, após o jantar? Você me deu o primeiro beijo e disse que havia uma grande chance de estar me amando desde antes de você entrar na loja e comprar aquelas gravatas. Aquela foi a primeira noite das milhares de noites felizes que tive ao longo desses 60 anos ao seu lado. E não teve uma noite sequer que tenhamos colocado as cabeças nos travesseiros sem dizer as palavras que hoje ecoam no meu coração: EU SEMPRE AMAREI VOCÊ!
Não sei como começar. Meu coração diz coisas que as palavras não são capazes de pronunciar. Meus medos compreendem o silêncio impreciso ...
Prazeres
Cena do filme Imagine que o amor é possível, e todas as coisas boas nos acontecem. Imagine que não há barreiras, nem tristeza, nem acen...
[Filme] Imagine Me & You
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| Cena do filme |
Lena Headey e Peper Perabo estrelam este filme embalado por The Turtles, com a animada canção Happy Together. Contratada para enfeitar o cenário do casamento, a florista apaixona-se pela noiva, de forma pura, a noiva também se apaixona por sua florista.
Mais uma assinatura, e o ‘parto’, como o chamamos ao longo dos últimos seis meses, estaria finalizado. Pelo menos por um tempo. Em dezem...
O parto
As três cópias encadernadas foram devidamente entregues em papel envelope pardo. Enquanto aquela assinatura final marcava a parte direita do canto do papel, cenas dos últimos anos passavam pela minha cabeça. Desde o primeiro dia de aula, ainda indecisa, caminhando em direção ao auditório, me sentindo perdida frente ao mundo de conhecimento que estava à minha espera, até minutos antes, ainda na gráfica, observando a máquina imprimir página por página daquele trabalho.
Feriado prolongado. Isso só a faz lembrar uma coisa: praia. E é pra lá que Daniela Davanso vai. O Dobló prata já passou pela r...
O que eu quero saber
Feriado prolongado. Isso só a faz lembrar uma coisa: praia. E é pra lá que Daniela Davanso vai. O Dobló prata já passou pela revisão. Uma última parada na lanchonete antes da viagem. Agora será apenas ela, o carro e a estrada. Ah, sim, não poderia esquecer a trilha sonora. Marisa Monte será a responsável. Seu novo CD, O que você quer saber de verdade, ganhou de presente no Amigo Secreto da faculdade. Ainda não conseguiu ouvir.
Um Ford velho azul cruzou o seu caminho. O motorista, um senhor com aparência hostil, barba mal feita, cabelos brancos e um cigarro caindo pelo canto esquerdo da boca, ultrapassa em local proibido e faz sinal obsceno para Daniela. No tumultuado trânsito da Capital, Daniela teria xingado, gritado, devolvido gestos igualmente hostis. Mas aquele feriado seria de felicidade, nada iria impedi-la de aproveitar. Marisa, a cantora, dizia exatamente isso para ela: “Vai sem direção, vai ser livre. A tristeza não, não existe. Solte seus cabelos ao vento, não olhe pra trás.”. Era isso que ela iria fazer. Esquecer-se de olhar para trás, por pelo menos quatro dias. As últimas semanas foram complicadas. Ela não achou que gostar de alguém fosse tão complicado assim.
Enquanto passava pela divisa de São Bernardo e São Vicente, Marisa Monte falava sobre andar descalço no parque. Parecia que tudo o que Daniela sentia, Marisa cantava. “Pois a cada hora que passa leva comigo uma saudade de você, meu amor.” No pedágio, aquele olhar era tão parecido, mas nada se comparava à sua paixão. Uma fugaz lembrança daquela mesma cabine, meses atrás. Era uma viagem romântica. Uma segunda lua de mel.
Os túneis tamparam a visão da lua. Vários minutos se passaram enquanto o carro percorria aquele trecho. Estrada longa e lotada. À frente, um Sportage azul marinho com duas bicicletas em cima. Jovens recém-casados, provavelmente. A placa era de Embu das Artes. Ao lado, uma Saveiro branca transportava móveis antigos. Na outra faixa, um Crossfox vermelho. Igualzinho o carro de seu amor. Bandido amor. Até Marisa percebeu. “Depois de aceitarmos os fatos, de trocar seus retratos pelos de um outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade, para amar à vontade sem trair mais ninguém”. Lágrimas escorriam pela face da menina-mulher. Melhor seria trocar de faixa, mas Marisa não colabora. “Amar alguém só pode fazer bem, não há como fazer mal a ninguém. Mesmo quando existe um outro alguém, mesmo quando isso não convém”. Como poderia alguém amar duas pessoas ao mesmo tempo? É algo inaceitável, para um coração fiel. Daniela não podia aceitar. Não conseguiu aceitar. Sentiu-se traída, sentiu-se minimizada, hostilizada.
O equipamento de som do carro continuava funcionando, mesmo com a tentativa desenfreada de Daniela de calá-lo. Os botões não respondiam. A estrada estava ficando mais escura, mais perigosa. “A tarde estava fria. Frio também ficou meu coração ao compreender que ele partia. No branco lencinho, chorei sua traição.” Estava explicado porque Daniela evitara tanto aquele CD.
Marisa continuava falando para ser feliz. Ser feliz. Era óbvio. Tudo estava óbvio. Só Daniela não percebeu. Logo poderia cantar, com felicidade, a canção de Marisa. “O meu coração já estava aposentado. Sem nenhuma ilusão, tinha sido maltratado. Tudo se transformou. Agora você chegou, você que me faz feliz, você que me faz cantar, assim...”
Há um caminho. E no caminho muitas curvas. E nas curvas o perigo. E no perigo o medo. E no medo a razão. Não sei há quanto tempo percor...
Meu Medo

Há um caminho. E no caminho muitas curvas. E nas curvas o perigo. E no perigo o medo. E no medo a razão.
Não sei há quanto tempo percorro esse caminho, nem por quanto tempo hei de percorrê-lo ainda. Mas avisto, ao além, a mais nobre premiação dos amores que trago no peito. Desventuras incompletas, sê-lo por fazer a mais certa.
Não trago nada além da verdadeira paixão. Eis minha coroação.
Desde criança eu escondo meus medos. Inflijo a lei da sinceridade e minto à mim mesma. O alto de um morro ou a janela do apartamento do último andar me davam vertigens. Mas eu não podia demonstrar. Pelo contrário. Fazia questão de subir à mais alta pedra do morro, ou sentar-me à beira da janela do último andar.
Enfrentava meus medos, como se fossem esses meros lampejos. Não admitia qualquer receio.
Havia, certa vez, uma cobra d'água no caminho do colégio. Em meus 7 anos mal poderia diferenciar essa de uma cascavel. Mas meus olhos arregalaram-se de fato, meus lábios secaram, meu coração de um salto disparou. Mas algo impulsionou-me a enfrentar aquele medo. Pisoteei o animal sem dó.
Ainda hoje não suporto o fato de sentir o medo e não enfrentá-lo. Uma de minha atividades favoritas é pegar o carro com os amigos e ultrapassar os limites de velocidade. Quão prazer sinto com o disparo do coração ao descer íngremes ladeiras, ao voar pelas curvas, ao transformar a leve brisa na mais forte ventania.
E todos meus medos foram efêmeros. Indignos de qualquer sacrifício. Até que conheci você...
Tenho medo de dizer 'oi', e não ser respondida.
Tenho medo de desejar 'boa noite' numa noite vazia.
Tenho medo de dizer 'bom dia' quando você não puder me ouvir.
Tenho medo de lhe estender a mão enquanto meus braços forem curtos para lhe alcançar.
Tenho medo de lhe pedir ajuda quando você não puder ajudar.
Tenho medo de querer agradar e acabar por ser inconveniente.
Tenho medo de falar, quando deveria escutar.
Tenho medo de esperar o que não poderá vir.
Tenho medo de desenhar uma imagem que não há como ser verdadeira.
Tenho medo de lhe oferecer o mundo e não possuir nem a metade.
Tenho medo de te carregar ao horizonte e descobrir que não há como voltar.
Tenho medo de que meu nome um dia seja substituído por outro qualquer.
Mas acima de tudo, tenho medo que tudo o que sinto por ti, que posso dizer é mais forte que qualquer outra sensação que eu já tenha experimentado, acabe um dia.
E esses medos, minha cara, não posso enfrentar.
Tantas vezes planejei o momento de te encontrar, mas uma lista de medos e receios caiu sobre minhas mãos, e qualquer impedimento serviu como desculpa para adiar esse momento.
Tantas vezes digitei um 'olá', ou um 'bom dia', mas meus dedos deletaram cada caractere com receio do que pudesse vir como resposta, ou pior, da ausência de resposta tua.
Tantas vezes escrevi poemas simples, como aqueles que escrevia aos 12 anos, mas apaguei com medo de ser mal interpretada ou parecer infantil demais.
E a ideia sempre surpreende ao perceber que o final é o mesmo do início. Voltas e voltas e um de meus medos, que se une agora ao medo de admitir, é saber que um dia posso eu sentir o mesmo por outra pessoa. Disso sim, tenho medo e não consigo impedir-me de senti-lo.
Você diz temer que meu amor seja apenas em palavras. Eu temo que você possa estar certa, algum dia. E isso me corrói a alma a cada segundo, pois, se não é amor, que é isso que sinto então?
Mas o que mais destrói meu coração, é saber que não sou a pessoa certa para você. E tanto tenho medo de um dia te magoar. Não suportaria ver nos teus olhos o sofrimento causado pelos meus. E tanto tenho medo e medo maior de enfrentá-lo, que lá no fundo sinto um alívio ao saber que outra pessoa lhe faz feliz. E por estar feliz com outra pessoa, sei que está protegida de mim, e assim poderei estar sempre com você, ao teu lado, mesmo não estando perto, pois o medo maior que possuo é de um dia te perder...
Pela janela do carro, eu podia ver Anna do outro lado da rua, fechando a porta de casa. Seis horas da manhã. Edu, seu vizinho skatista, atra...







