Uma palavra pode mudar tudo. Aquela carta de amor de tantos anos atrás faz doer no peito uma saudade. As fotos dos tempos de romance...
O telegrama
Imagem: Andreia Miranda - Papel Online Fim de tarde, véspera de feriado. O terminal lotado de pessoas e malas: correndo de um lado par...
Abraço de despedida
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| Imagem: Andreia Miranda - Papel Online |
Imagem: Google Qual o mistério por trás de teus olhos castanhos? Nessas tuas lentes de um grau de miopia enxergo o reflexo da tua í...
Miopia
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| Imagem: Google |
A voz metálica anunciava a próxima estação. Desembarque pelo lado esquerdo. Rostos estranhos, parados, conversando, o burburinho aument...
Mãos
"Difícil pedir bebida aqui, 'né'?", perguntou. Olhei para o lado. Sabia que havia alguém ali, mas não havia p...
"Deixei meu 'amor' na balada"
Imagem: Silvia Navarro Despedidas. Nunca parece ser algo bom. Sempre que possível, não escolha despedidas. Entenda como um ...
Hora de... seguir em frente
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| Imagem: Silvia Navarro |
Quatro e quarenta e cinco de uma tarde de verão. O Astro Sol ainda quente, queimando, borbulhando os ossos com o mais alto grau de temp...
A moça, o galho e o ponto
“Eu te amo”, ela disse, ainda trêmula, entre soluços, sem a convicção de que aquele era o momento certo. E, de fato, não era. ...
"Eu te amo"
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| Reprodução: Madame Butterfly, de Giacomo Puccini |
Imagem: Andrade Jorge O obstáculo era maior que o salto que poderia dar. Teimou. Tentou. Caiu. Quebrou. E nunca mais foi o mesmo. Seu ...
Cristal
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| Imagem: Andrade Jorge |
A gente tinha tudo pra dar errado. E deu. Eu gostava de silêncio. Você era barulho. Eu fazia contas e você, poesia. Eu era o sol e você...
À espera

Prometi que aquela seria a última dose. Vieram mais oito, depois disso. Florence and the Machine embalava a noite. O som alternativo da ba...
No universo dos meus mais estranhos sonhos
Sorria. Abriu a janela do ônibus com o cuidado de não criar suspense ao próprio coração: avistou as tão belas e distantes mon...
Meu interior
O sol bem ao centro do céu. O relógio marca exatamente 12h. A igreja, a três quadras dali, badala o sino em 12 longos toques. Baixinho...
Adeus, Anna.
Olha... veja só! Nossa primeira foto juntos. Já faz tanto tempo, não é mesmo? Quase me esqueci desse seu sorriso encabulado, ainda na dúvid...
Tanto tempo
Olha... veja só! Nossa primeira foto juntos.Já faz tanto tempo, não é mesmo? Quase me esqueci desse seu sorriso encabulado, ainda na dúvida se me levaria pra dançar numa boate ou melhor seria um romântico jantar. E depois, quando finalmente decidimos passear pela avenida, observando as estrelas, um saxofonista parou-nos para dedicar ao 'casal apaixonado' uma romântica canção. Você gaguejou ao tentar dizer que não somos um casal, mas nem conseguiu completar a frase. Depois olhou-me, corado, ainda sem saber o que fazer em seguida. Estava esfriando, então você colocou sobre mim seu casaco macio. Ah, como amei aquele momento. Estivemos tão perto de um beijo... e seu perfume era tão bom, impregnado no casaco sobre mim!
Já faz tanto tempo, mas ainda posso me lembrar do cheiro da comida do restaurante que você me levou. Hoje passo por aquela avenida e vejo uma casa de shows no lugar daquele restaurante. As pessoas hoje pensam que são felizes ali, mas jamais sentirão o êxtase de felicidade que tive quando, entre a entrada e o prato principal, você disse que não parava de pensar em mim desde que viu meu sorriso pela primeira vez, quando lhe vendi aquele par de meias e as gravatas de seda coloridas. Inacreditável como em apenas duas semanas você precisou comprar 30 gravatas diferentes. Acho que você jamais as usou.Já faz tanto tempo... e parece que não foi tempo suficiente para vivermos esse amor. Agora, que você se foi, tenho essas fotografias que me fazem chorar. Não de tristeza, mas pela certeza de ter vivido o melhor amor que eu poderia viver. Você se lembra, naquela noite, após o jantar? Você me deu o primeiro beijo e disse que havia uma grande chance de estar me amando desde antes de você entrar na loja e comprar aquelas gravatas. Aquela foi a primeira noite das milhares de noites felizes que tive ao longo desses 60 anos ao seu lado. E não teve uma noite sequer que tenhamos colocado as cabeças nos travesseiros sem dizer as palavras que hoje ecoam no meu coração: EU SEMPRE AMAREI VOCÊ!
Feriado prolongado. Isso só a faz lembrar uma coisa: praia. E é pra lá que Daniela Davanso vai. O Dobló prata já passou pela r...
O que eu quero saber
Feriado prolongado. Isso só a faz lembrar uma coisa: praia. E é pra lá que Daniela Davanso vai. O Dobló prata já passou pela revisão. Uma última parada na lanchonete antes da viagem. Agora será apenas ela, o carro e a estrada. Ah, sim, não poderia esquecer a trilha sonora. Marisa Monte será a responsável. Seu novo CD, O que você quer saber de verdade, ganhou de presente no Amigo Secreto da faculdade. Ainda não conseguiu ouvir.
Um Ford velho azul cruzou o seu caminho. O motorista, um senhor com aparência hostil, barba mal feita, cabelos brancos e um cigarro caindo pelo canto esquerdo da boca, ultrapassa em local proibido e faz sinal obsceno para Daniela. No tumultuado trânsito da Capital, Daniela teria xingado, gritado, devolvido gestos igualmente hostis. Mas aquele feriado seria de felicidade, nada iria impedi-la de aproveitar. Marisa, a cantora, dizia exatamente isso para ela: “Vai sem direção, vai ser livre. A tristeza não, não existe. Solte seus cabelos ao vento, não olhe pra trás.”. Era isso que ela iria fazer. Esquecer-se de olhar para trás, por pelo menos quatro dias. As últimas semanas foram complicadas. Ela não achou que gostar de alguém fosse tão complicado assim.
Enquanto passava pela divisa de São Bernardo e São Vicente, Marisa Monte falava sobre andar descalço no parque. Parecia que tudo o que Daniela sentia, Marisa cantava. “Pois a cada hora que passa leva comigo uma saudade de você, meu amor.” No pedágio, aquele olhar era tão parecido, mas nada se comparava à sua paixão. Uma fugaz lembrança daquela mesma cabine, meses atrás. Era uma viagem romântica. Uma segunda lua de mel.
Os túneis tamparam a visão da lua. Vários minutos se passaram enquanto o carro percorria aquele trecho. Estrada longa e lotada. À frente, um Sportage azul marinho com duas bicicletas em cima. Jovens recém-casados, provavelmente. A placa era de Embu das Artes. Ao lado, uma Saveiro branca transportava móveis antigos. Na outra faixa, um Crossfox vermelho. Igualzinho o carro de seu amor. Bandido amor. Até Marisa percebeu. “Depois de aceitarmos os fatos, de trocar seus retratos pelos de um outro alguém. Meu bem, vamos ter liberdade, para amar à vontade sem trair mais ninguém”. Lágrimas escorriam pela face da menina-mulher. Melhor seria trocar de faixa, mas Marisa não colabora. “Amar alguém só pode fazer bem, não há como fazer mal a ninguém. Mesmo quando existe um outro alguém, mesmo quando isso não convém”. Como poderia alguém amar duas pessoas ao mesmo tempo? É algo inaceitável, para um coração fiel. Daniela não podia aceitar. Não conseguiu aceitar. Sentiu-se traída, sentiu-se minimizada, hostilizada.
O equipamento de som do carro continuava funcionando, mesmo com a tentativa desenfreada de Daniela de calá-lo. Os botões não respondiam. A estrada estava ficando mais escura, mais perigosa. “A tarde estava fria. Frio também ficou meu coração ao compreender que ele partia. No branco lencinho, chorei sua traição.” Estava explicado porque Daniela evitara tanto aquele CD.
Marisa continuava falando para ser feliz. Ser feliz. Era óbvio. Tudo estava óbvio. Só Daniela não percebeu. Logo poderia cantar, com felicidade, a canção de Marisa. “O meu coração já estava aposentado. Sem nenhuma ilusão, tinha sido maltratado. Tudo se transformou. Agora você chegou, você que me faz feliz, você que me faz cantar, assim...”
Pela janela do carro, eu podia ver Anna do outro lado da rua, fechando a porta de casa. Seis horas da manhã. Edu, seu vizinho skatista, atra...
À espera do resultado
Ela tentava olhar por entre as frestas da janela de madeira. A cortina foi fechada friamente. Não poderia haver espiões. A briga no interior...
Finais felizes existem?
A porta se abriu violentamente, formando uma rajada de vento que quase derrubou a menininha. Aquela última briga, ela jamais iria querer lembrar, mas seria impossível esquecer.
O tempo passou depressa. As noites de insônia só aumentaram. Nunca houve brilhantismo em teu caminho. Poucos sabiam teu nome. Muitos a odiavam. Ninguém lhe amava. Era infeliz e não sabia. Nunca havia experimentado o amor. Já tivera outrora algumas paixões. Acabaram tão rápido quanto começaram. Não era feliz.
Do espaço houve espaço para lançar-lhe a dor. Em um momento de raiva jogou tudo para o alto e sumiu. Os poucos que a conheciam, nunca mais souberam sobre a menina. Mais um corte brusco no tempo trouxe aos ausentes a enxurrada de calor. Ela voltou com o outono. Uma fria folha seca com a jovialidade estampando seu sorriso. O distante fez-lhe bem. A então menininha dos olhos assustados hoje seduz e reúne enamorados. Mas ainda não sabe o que é felicidade.Vez ou outra algumas cenas marcantes passam pela minha cabeça. A primeira vez que cortei meus pequenos cachos num salão, a fo...
"- Acho que ainda não estou preparada para isso, sabe? - Para quê? - Para viver."
Imagem Google Um amor não deveria ser discriminado. É tão lindo ver duas pessoas se olhando, se curtindo, se querendo e se amando...
Ela me faz tão bem
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| Imagem Google |
Com o tempo percebi que minha felicidade não dependia do julgamento alheio. Meus pais continuavam contra, mas eu já não podia esconder minha verdadeira identidade. Na festa de formatura da faculdade decidi viver minha própria vida. No dia seguinte viajaria os 120 km que nos separava. Meu pai disse que se eu saísse, seria para nunca mais voltar. Mesmo com aquela dor no coração, eu já havia tomado a decisão. Peguei o velho Ford e segui à Santos, com uma pouca bagagem e bastante determinação.
- Minha irmã está no Rio.
- Rio de Janeiro? Mas porque ela foi embora?
- Depois que você a mandou para fora da tua vida, muita coisa aconteceu. Perdeu o emprego, não conseguia mais estudar, depois veio a morte do meu pai. Ela brigava direto com minha mãe, e então decidiu ir. Disse que iria para São Paulo mesmo, mas não sei por que mudou de ideia.
- Sabe como posso encontrá-la?
- Entre, vou pegar o telefone.
A casa era a mesma, só os móveis estavam em disposições diferentes. Os troféus de natação ainda sobre a estante. Enquanto ele procurava pelo número de telefone, fui até seu quarto. O mesmo quarto lilás, cobertas claras sobre a cama, a janela ainda emperrada, o abajur da Disney, a pilha de CDs importados e os DVDs românticos. Na parede principal, o painel de fotografias. Eu estava em quase todas. Dentro da gaveta semiaberta, todas as cartas que lhe escrevi. Nosso amor de verão se tornou eterno.
- Está tudo exatamente igual!
- Sim. Minha mãe, apesar da mágoa, ainda acha que ela irá voltar. Bem, aqui está o endereço, telefone, a faculdade em que ela estuda e o endereço de onde ela trabalha.
- Valeu, Carlos. Te devo essa!
- Bianca, eu nunca me dei muito bem com minha irmã, mas eu quero o melhor para ela. Aqui está o endereço, mas é importante que você saiba – Ele parecia procurar as palavras certas, mas estava com receio em dizê-las – a Laura está feliz, com outra pessoa. Ela sofreu muito quando você foi embora. Se você ainda a ama, não estrague essa felicidade que ela recuperou!
Aquilo me destruiu. Eu a mandei embora da minha vida, porque tinha que estar tão surpresa por ela já ter outro alguém? Peguei meu carro e rodei por toda a cidade. Os verões mais lindos foram ali, ao lado dela. Parei na orla da praia e deitei na areia. Aquela lua que observamos tantas vezes juntas parecia tão triste quanto eu. Os sons das ondas do mar eram minhas lágrimas silenciosas. Arrependo-me de ter dito adeus, de não ter aproveitado mais os momentos ao seu lado. Não havia como voltar atrás. Eu não iria fazê-la infeliz pela segunda vez.
- Algo me disse que te encontraria aqui!
- Pai?
- O Carlinhos me contou o que houve. Você realmente a ama?
- Olha, pai... eu sei que o senhor não acredita nessas coisas, que tem vergonha de mim, mas...
- Eu acredito! Sempre acreditei e admirei quem tivesse coragem o suficiente para admitir, mas isso quando era longe de mim. É a primeira vez que acontece tão próximo. Eu sempre via as pessoas sofrerem por causa do preconceito, apanharem, serem discriminadas em todos os lugares. E você é minha garotinha, não queria isso para você. Mas percebi que você é muito mais corajosa e mais forte que eu imaginei. É até mais corajosa que eu. Não vou pedir que me perdoe, mas quero que saiba que o que eu sempre fiz, foi tentar te proteger.
- Pai, eu te amo!
Nem é preciso dizer que me acabei em lágrimas. Voltei para casa seguindo o carro de meu pai. Sabia que não seria feliz sem ela, mas já era o suficiente ter o apoio dele. O tempo foi passando e aos poucos fui me acostumando com a dor. Passei um ano de intercâmbio na Austrália, depois mais seis meses no Canadá. Durante a viagem, enviei à ela um telegrama, com dedicatória e poucas palavras. Nunca recebi resposta. Quando voltei ao Brasil, comecei a trabalhar numa agência de Publicidade.
Dois anos se passaram desde que estive no litoral pela última vez. Meu pai queria a família reunida no natal. E partimos para a cidade praiana do meu amor de adolescência. Fotografando o calçadão da orla da praia, encontrei aquele rosto conhecido. Ela estava tão bem, sorrindo, sentada na areia, com mais alguns amigos, tomando água de coco. Petrifiquei-me ali mesmo, sem tirar os olhos dela, com vontade de correr e abraçá-la, mas sem encontrar coragem. E se ela me odiasse? Se nem se lembrasse de mim? Eu não tinha o direito de estragar sua diversão. Seria melhor ir embora e guardar, para sempre, aquela cena do seu lindo sorriso. Guardei a câmera e voltei para casa.
Aquela noite fizemos um luau na praia. Peguei o violão e, em volta da fogueira, com minha família e amigos, cantei algumas canções. Alguém puxou aquela música que ela sempre cantava para mim. “Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela.” Acompanhei com alguns acordes. O refrão me machucou. Terminei de tocá-la, entreguei o violão ao meu primo e me levantei.
- Aonde vai?
- Dar uma volta.
- Sozinha?
- Sim. Não demoro. Só quero molhar os meus pés.
Enquanto um pedaço de mim tocava uma parte mínima do grande Oceano Atlântico, eu pensava em como seria tê-la ao meu lado, naquele momento. O amor é assim mesmo? Acho que sim. Não tem idade, não tem sexo, nem distância ou barreiras que o faz acabar. O amor não tem limites nem medidas. O amor é assim, belo e formoso. Até sua dor, a mais forte de todas, é uma dor que você, no fundo do seu coração, gosta de sentir. O amor é masoquista. Quem nunca sentiu um amor tão forte assim, não deve ter sido feliz. Sou feliz só pela certeza de que existe, no mundo, alguém como ela, que me faz suspirar de paixão, que me faz tanto querer um bem a outro alguém, que faz dos meus sonhos os mais lindos, que me aquece de ternura nas noites de inverno e refresca meu coração nas tardes quentes de verão. O amor é isso e mais um pouco. Muito mais um pouco. Não sou capaz de descrevê-lo como se deve. Acho que ninguém nunca foi. Mas sou capaz de senti-lo. Um amor não deve ser esquecido e, quando verdadeiro, deve ser conquistado inúmeras vezes, cada dia, cada segundo. Eu não poderia desistir desse amor. Jamais. Fui até a casa dela, a pé mesmo, pela praia. As luzes noturnas eram tão belas, mas nada se comparava ao brilho da lua. Ela estava feliz e eu, confiante.
- Oi, Carlos! Sei que está um pouco tarde, mas eu preciso falar com a tua irmã!
- Oh, minha querida! Ela acaba de sair!
- Sabe para onde ela foi?
- Acredito que na Portuários. Hoje tem show de Lulu Santos.
Peguei o primeiro táxi que passou e entrei na Portuários. Lulu cantava Assim caminha a humanidade. Eu a procurei por toda a parte. A casa estava cheia. Ela sempre amou as canções do cara. Na certa estava na primeira fila. Com muito esforço, após três cotoveladas, cinco bate-cabelos, cheguei na metade da pista. Já estava em Aviso aos navegantes. Mais algumas pisadas no pé, aquele espirro nada agradável na minha direção, pessoas pulando e cantando com o cara.
Cheguei à primeira fileira bem no momento em que ele canta AQUELA canção. “Ela me encontrou, eu ‘tava’ por aí, num estado emocional tão ruim...” Fiquei parada, sem reação, olhando para aquela interpretação, e me vinha à cabeça imagens de nós duas. A primeira vez que ela cantou essa música para mim foi no nosso primeiro verão. Eu a julguei me esquecer logo que as férias acabassem. Ela me prometeu que isso jamais aconteceria. Me pegou em seus braços, beijou meus lábios e começou a cantar. Em todas as cartas que me mandou, havia um trecho dessa canção. “De ser querer bem, de se querer quem se tem...” Eu já não mais a tinha. Havia fracassado, pela segunda vez, na tentativa de pedir perdão. Ela não estava por lá.
Mas então uma luz iluminou a multidão, e pude encontrar seus olhos rasos d’agua, acompanhando a canção. Seu olhar encontrou o meu, e seguiram-se vários segundos sem que pudéssemos reagir. Parecia tão surreal. Pude sentir sua respiração forte, mesmo com o público pulando e o som ao vivo invadindo cada milímetro quadrado do ambiente. Ela desviou cinco pessoas que estavam em nosso caminho e pulou em meus braços. Como eu desejei poder sentir, novamente, esse abraço. Passamos o restante da canção assim, abraçadas, sentindo as batidas do coração uma da outra, sem dizer uma palavra. E pela primeira vez, em doze anos, eu disse que a amava.














