Últimas

A garota do ônibus Imagem Google A primeira vez que a vi, eu estava em pé no corredor do ônibus, falando ao celular e ela estava bem...

A garota do ônibus
Imagem Google

A primeira vez que a vi, eu estava em pé no corredor do ônibus, falando ao celular e ela estava bem atrás de mim, sentada em um dos bancos. Eu não havia notado sua presença, até que, involuntariamente, olhei para trás e a surpreendi olhando para mim. Achei beleza em seus olhos, mas imaginei que talvez ela estivesse apenas lendo as inscrições da minha camisa da faculdade. Ignorei e continuei atento à minha conversa. Desliguei e uma curiosidade tamanha me fez olhar mais uma vez para trás e lá estava ela, novamente, me observando. Desta vez ela tentou disfarçar e eu fingi nem notar sua curiosidade sobre mim. Em dados momentos ela ainda me observava. E aquilo me levou a um sentimento estranho, uma sensação diferente. Aqueles belos olhos me chamaram a atenção. Fui tomado de súbito alívio ao ver que meus olhos se encontraram com os dela. Houve uma ligeira comunicação entre nós. Não sei exatamente o que conversamos, mas sei que foi intenso. 
Chegamos ao terminal rodoviário e desci. Ela também desceu. Não sabia explicar exatamente o porquê, mas a minha vontade era de entrar no mesmo ônibus que ela. Fui covarde o suficiente para me dirigir à outra plataforma e esperar o ônibus que me levaria para casa. Eu podia ir a pé, já que o terminal ficava a 15 minutos caminhando, mas estava mais distraído do que de costume. Poderia atravessar o farol e acabar atropelado. Resolvi não me arriscar.
            Durante os cincos minutos no ônibus, fiquei pensando naquele olhar. Desci e caminhei até a porta de casa. Parei. Não sabia o que fazia ali. Foi quando minha vizinha tentou se meter mais uma vez em minha vida me perguntando o que eu tinha. “Nada”, respondi, e me lembrei de que precisava pegar minha chave para entrar. Fui direto para o banho. Queria me livrar da sensação de perda que eu tive quando a vi subindo naquele ônibus e nada fiz. A água fria podia tirar de mim a poluição da cidade grande, mas meus pensamentos estavam intactos, presos a ela.
            Eu precisava terminar um trabalho da faculdade. Uma análise crítica que exigia toda a minha atenção. Enrolei. Entrei no site de relacionamentos e visualizei perfis desconhecidos. Acho que eu estava procurando por um rosto em meio a tantos outros, talvez o olhar, sim o olhar que tanto me chamara atenção. Por um lapso de segundo me lembrei de que ainda havia um trabalho a terminar. Olhei para a janela e me surpreendi com o luar banhado à sacada. Fechei todos os programas, exceto o editor de textos. Esbocei um sorriso ao ler o que eu havia escrito. Meu trabalho se baseava num livro sobre interface gráfica e eu estava justamente falando sobre os progressos tecnológicos e como o computador pessoal tornou-se uma distração para seus usuários. Era segunda-feira, dezoito de maio de 2009. Terminei meu trabalho no inicio da madrugada.
            Enquanto o sono fugia do meu quarto, minha cabeça enchia de enigmas. Quem era ela? O que fazia? Onde morava? Quantos anos tinha? Porque despertou em mim tanto interesse? Porque era tão linda? Porque o interesse em me observar? O que queriam me dizer seus lindos olhos castanhos? E todas essas perguntas também ecoavam em minha mente no caminho da faculdade, na terça-feira de manhã. Procurei aquele olhar enigmático dentro de tantos rostos desconhecidos. Será que ela pegava aquele mesmo ônibus todas as manhãs naquele mesmo horário? Mas ela não estava lá.  Ao fim da aula corri para o ponto de ônibus, pois tinha esperança de encontrar os lindos e misteriosos olhos castanhos do dia anterior. Peguei o ônibus e imediatamente corri meus olhos em busca daqueles. Nada. Entristeci-me, mas logo lembrei de que eu não havia reparado em que ponto ela subira, se antes ou depois de mim. Em cada ponto que passava eu ficava atento se não era lá que ela estava. Observei cada par de olhos que entrava. Nenhum tão belo quanto o dela. Esperança vã.
            Na quarta-feira, após a aula, corri novamente ao ponto de ônibus, mas enquanto esperava me lembrei de que talvez eu tivesse me atrasado na segunda e pego outro ônibus. Decidi deixar o primeiro passar e subir no segundo. Quinze minutos foi o tempo que esperei. Imediatamente subi e nada de encontrá-la. Novamente observei cada ponto e cada pessoa que subia. Cada vez que eu olhava para uma moça me lembrava dela, mas nenhuma possuía sua beleza. Ela tinha o cabelo um pouco abaixo dos ombros, castanhos, como os olhos, nariz fino e delicado, sobrancelhas marcando bem e aperfeiçoando os traços de seu rosto, seus lábios perfeitos e... ah, eu deveria parar de pensar nela. Preocupei-me severamente com o modo que eu estava agindo. Entrei em casa e decidi esquecê-la.
            Quinta-feira. Aula de Filosofia. Saí da sala viajando em pensamentos, contemplando as lendas gregas. Peguei o ônibus distraído. Três pontos depois, um par de olhos, já velhos conhecidos dos meus sonhos, sobe. Era ela. Com mais três amigas. Ela me olhava com um sorriso de canto de boca, um olhar convidativo. Gostaria de contar, aqui, que logo tivemos nosso primeiro contato, marcamos um encontro, fomos ao cinema, um passeio no parque, um beijo... Infelizmente não foi bem assim que aconteceu.
Passamos longos meses ainda nesse encontro diário, no transporte público, mas sem trocar uma palavra sequer. Apenas olhares. Sabia seu nome, Aline, de tanto ouvir suas amigas falarem. Aliás, sabia os nomes delas, também: Suelen, Ana Beatriz e Cláudia. Trabalhavam juntas em um centro de atendimento aos deficientes auditivos. Amigas indiscretas, que lançavam comentários irônicos sobre nossas trocas de olhares, incentivando uma tomada de atitude. E justamente por causa delas, eu ficava sem graça e nada fazia.
            Entrei em férias na faculdade e viajei por quase dois meses. Quando voltei, não mais a vi. Nem ela, nem as amigas dela. Assim como na primeira semana que a ‘conheci’, procurei pegar o ônibus em horários diferentes, mas não a encontrava, até que, no começo de outubro, ela reapareceu. Sozinha. Sem as amigas indiscretas. E sentou-se bem ao meu lado, no ônibus, pela primeira vez na vida. Confuso, trêmulo, deixei meu celular cair no chão. Abaixamo-nos juntos e batemos com a cabeça um no outro. Rimos. Ela pegou meu celular. Eu agradeci. “Há tempos não te vejo. E pensei que nem a veria mais”, comentei, por impulso. “É também achei que não veria mais você”, respondeu ela, não escondendo o sorriso de alívio. Duas das amigas delas trocaram de horário, na empresa. As outras duas foram despedidas.
            Conversamos todo o restante do caminho. E conversávamos todos os dias por mais de um mês. Ela prestou o ENEM para cursar Hotelaria. Fez 18 anos no dia 4 de novembro de 2009. Fiz todos os passageiros cantarem parabéns à ela e a presenteei com uma caixa de bombons. Ela me entregou um papel dobrado com o telefone e o MSN anotado. Guardei dentro da bolsa e nos despedimos. Eu iria viajar por uma semana. Procurei o papel por todo o canto. Dentro da mochila, no bolso da calça, entre as páginas dos livros, no caderno, mas não encontrei. Eu iria pedir novamente, ao retornar.
Voltei à SP e peguei o mesmo ônibus no mesmo horário. Ela havia sumido novamente. Semanas, dias, meses, anos... quatro anos sem saber o que aconteceu com a bela Aline. Segui minha vida, comecei a trabalhar, terminei a faculdade, tive duas namoradas e várias outras paixões, mas nunca criei coragem de procurar o centro de assistência que ela trabalhava. E, mesmo depois de tanto tempo, ainda não me esqueço daqueles belos olhos castanhos. Um dia irei reencontrá-los.

Em um planeta infectado pela relação supérflua e efêmera, nascem camaleões A geração que decente de bravos soldados, guerrilheiros e...


Em um planeta infectado pela relação supérflua e efêmera, nascem camaleões

A geração que decente de bravos soldados, guerrilheiros em favor da liberdade, que por sua vez são filhos de pacifistas que abrilhantaram os cadernos de história com a incrível e lendária Woodstock... Cheios de viva, de força, de vontade. Indivíduos de raça, de garra e sabedoria. Filhos da paixão à flor da pele, que faziam questão de viver cada segundo, de alimentar a certeza dos sentimentos mais profundos, que não tinham medo de gritar com a força do coração para o mundo todo ouvir o ‘eu te amo’ à garota dos sonhos. Os Filhos da Revolução hoje aprenderam a camuflar sentimentos.
“Oi, tudo bem?” – “Tudo, e você?” – “Tudo bem”. “E aí, novidade?” – “Nenhuma. E vc?” – “Na mesma”. “Você parece distante. Fiz algo pra te chatear?” – “Não é com você”. Sinto dizer, mas o ‘tudo bem’ pode esconder uma grande tristeza. A ‘nenhuma novidade’ pode ser uma grave doença. O ‘não é com você’, com toda a absoluta certeza, é com você e esconde uma decepção.
Camuflamos sentimentos desde que aprendemos a nos conectar com as pessoas através de uma tela de computador. A sociedade da informação, a sociedade do conhecimento, a sociedade do efêmero. Um modo frio de manter relações. Para excluir uma pessoa da sua vida, basta o unfollow ou o block.
Acho que me adaptei ao moderno modo de vida. Camuflo sentimentos. Digo que estou bem, quando às vezes precisava dizer que não. Finjo que não há um problema me afligindo se me perguntam se há alguma novidade. A única coisa que não faço é embarcar no ‘não é com você, é comigo’. Sim, é com você e eu faço questão de te contar isso, mas pessoalmente. De resto, camuflo sentimentos.
Descobri, recentemente, após uma longa conversa com uns amigos, que demonstro ser forte aos olhos dos outros. Sempre tenho uma resposta pronta na ponta da língua. Se surge algum problema, eu dou um jeito de resolver. Não como uma forma de varrer para debaixo do tapete, mas como uma forma positiva de encontrar uma saída, uma resolução. “Relaxa, vai dar tudo certo”, eu costumo dizer, mas até quando vai esse otimismo? Um dia ele cai, assim como eu. Temo que o dia em que eu cair, seja o dia em que eu menos precise de alguém ao meu lado para me dizer “relaxa, vai dar tudo certo”. No dia em que eu cair, temo que seja, talvez, para nunca mais levantar.

Quem tem qualquer tipo de fobia vai entender o que tenho a dizer. A minha fobia parece estranha para quem não a tem, mas qual fobia não ...


Quem tem qualquer tipo de fobia vai entender o que tenho a dizer. A minha fobia parece estranha para quem não a tem, mas qual fobia não é estranha aos olhos de quem não possui? A coulrofobia, para mim, por exemplo, é bem estranha. E muitos dos meus amigos sofrem por ela. É o medo de palhaços. E há quem tenha ablutofobia, um verdadeiro Cascão: aquele que tem medo de tomar banho. Acrofobia é o popular medo de altura, do qual também sofro em um grau menor. Aquele que tem medo de espaços pequenos e lugares fechados é o claustrofóbico. Tem gente que tem medo de amar: agapefobia. E ultimamente tenho compreendido bastante sobre esse medo, de forma bem pessoal. Algumas pessoas possuem medo de atravessar a rua. Elas possuem dromofobia. Até quem tem medo de beber está na lista: dipsofobia. Existe até algo denominado como estupofobia. Acredite ou não, este é o medo de pessoas estúpidas.
Desde criança eu tenho uma filosofia de vida: enfrentar meus medos. Sempre tive acrofobia, o medo de altura, então eu subia em árvores, escalava muros e andava sobre o telhado. Nunca havia visto uma cobra de perto, não sabia se eu tinha medo ou não, mas imaginava como seria quando eu encontrasse pela primeira vez. Era apenas uma cobra pequena, mas não tive dó de pisotear o animal. Esmaguei-lhe a cabeça com total indiferença. Trinta segundos depois estava tremendo só pelo fato de tê-lo feito sem pensar nas consequências. Então eu tive certeza sobre meu medo de cobras, a ofidiofobia. Tenho também monofobia, o medo de ficar só. Vez ou outra afasto propositalmente as pessoas para um momento só meu. Vivo constantemente em um tratamento de choque.
O meu maior medo é pouco conhecido e geralmente ignorado até mesmo por quem o possui. Eu tenho latrofobia: o medo de ir ao médico. E este é o medo no qual me recuso a enfrentar. Prefiro ficar doente. Junto a esse medo, alia-se meu medo de tomar medicamentos e realizar exames. Junto a esse medo, alia-se, também, a aicmofobia: medo de agulhas. Sou capaz de desmaiar só em ver uma agulha vindo em minha direção. Espera, acho que foi justamente isso que me ocorreu na última consulta. E podem rir, mas desmaiei também quando a cardiologista me apareceu com o aparelho medidor de pressão. Era apenas um medidor de pressão, mas foi justamente aquele aparelho que fez acelerar os batimentos do meu coração. Empalideci, tremi, suei frio e desmaiei. Sim, meus caros, caí na mesa do consultório com receio de um simples aparelho medidor de pressão.
Eu não planejei jamais entrar em tratamento de choque para tentar curar esse meu pior medo. Eu entrei em tratamento de choque por livre e espontânea pressão. Passei dois dias sob ‘observações médicas’, respirando com ajuda de aparelhos. As pessoas vestidas de branco eram, para mim, assombrações, fantasmas. Hoje tenho certeza que meu pânico seria menor se fossem realmente fantasmas. Quer dizer... fantasmas não existem. São ilusões que criamos. E mesmo que eles existissem, nada de mal poderiam fazer além de assustar, certo? Já os médicos e enfermeiros... bem... tive a sorte de topar com bons profissionais, mas aquelas agulhas em suas mãos, os remédios com nomes impronunciáveis e a terrível frase “os exames foram inconclusivos”. Será que essa frase cai na prova final, na faculdade de medicina? Incrível como elas são tão bem pronunciadas pelos meus fantasmas de estetoscópio!
Nem todos os tratamentos de choque são eficientes. Se deixarmos um claustrofóbico preso no elevador, ele não se curará do medo. Pelo contrário. Entrará em pânico e dificilmente desejará estar novamente em um elevador. Vai preferir subir os 15 andares de escada. Se um coulrofóbico for trancado sozinho com um cara vestido de palhaço, você não o encontrará jogando cartas com o sujeito, ao voltar. Ele estará chorando, em pânico, encolhido no canto da sala, de olhos fechados, desejando abri-los e não mais o encontrar lá. Imagine se um acrofóbico pega um avião e, durante a viagem, surgem alguns problemas nos motores e ele tenha que colocar o paraquedas e pular? Isso não aconteceria tão fácil. Ele poderia até pular, mas jamais voltaria a subir em um avião. O meu tratamento de choque também não deu certo. Apenas aumentou meu medo. Deixou-o mais agudo, mais forte.
Em relação aos meus outros medos, quanto mais eu os enfrento, mais eu tenho vontade de encará-los. Esse não. O máximo que eu faço é assistir aos filmes e seriados sobre o assunto (House é um de meus seriados preferidos). Esse é o tipo de medo de me açoita, me deixa com a sensação de falta de ar (literalmente), acelera os batimentos do meu coração (literalmente), me faz suar frio (literalmente), me faz tremer dos pés à cabeça (literalmente)... vocês já entenderam! Esse é o medo que me deixa em pânico. 

Foto Bruna Sousa - Itanhaém, 17/02/13          Hoje eu vi o arco-íris. Sete cores inconfundíveis. Arco perfeito sobre o horizonte, a...

Foto Bruna Sousa - Itanhaém, 17/02/13

         Hoje eu vi o arco-íris. Sete cores inconfundíveis. Arco perfeito sobre o horizonte, avista além do mar. Hoje o arco-íris veio me resgatar à lembrança de quando eu era criança. Eu costumava ler a Bíblia e nela dizia, em uma passagem, que o arco-íris era a promessa de Deus, vinda após o Grande Dilúvio, de que Ele nunca mais acabaria o mundo com água. Após as chuvas, olharíamos para o céu e lembraríamos da promessa. A promessa da esperança. 
         Já não tenho mais o pensamento de quando eu era criança. Para mim, o arco-íris é como dizem os cientistas: um fenômeno meteorológico que ilumina as gotas da chuva e causa a ilusão de um arco com as cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta, mas hoje, ao observar o arco-íris, que não presencio há meses, aquela ideia de esperança despertou-me de um desespero obscuro. A chuva vai continuar caindo, os problemas continuarão surgindo, as pedras lançadas não voltam e um dia o sol vai brilhar. 
         A chuva está caindo, agora. E está muito forte. É o meu dilúvio pessoal. A tempestade da minha vida, mas aquela esperança é real, aquela promessa está dentro de mim. E estou aqui, com meu pequeno guarda-chuva, esperando a chuva passar e sei que, em breve, verei um novo arco-íris ainda mais bonito que o de hoje.

(Enquanto lê esse texto, ouça a música do Jason Mraz - I won't give up - é a trilha sonora desse momento...) Todas as vezes que ...


(Enquanto lê esse texto, ouça a música do Jason Mraz - I won't give up - é a trilha sonora desse momento...)

Todas as vezes que eu olhava dentro dos teus olhos, eu viajava. Não sei se para as estrelas, ou para além da linha do horizonte, ao nascer do sol, mas eu viajava. E, durante a viagem, eu era feliz. 
Uhm... olha o Jason... ele quer saber a idade da sua alma. E eu... eu só quero saber se nossas almas já possuem idade suficiente para se reencontrarem, ou ainda são jovens demais para se entregarem?
Não desistirei. Prefiro desistir de paixões, de acasos, de sorrisos fáceis, mas não de você. Nunca de você. Não desistirei de manter, aqui sob o lado esquerdo do peito, exatamente aqui nesse espaço onde as pessoas dizem que há um coração, que bate forte toda vez que me lembro do nosso primeiro beijo, o que sinto por você. Não desistirei de nós.
Eu espero o tempo que for preciso. Só desejo me manter forte, até lá, pois sei que não devemos simplesmente dizer adeus. Eu espero... para que você possa ser feliz. Eu espero para que você respire liberdade, felicidade, para que você construa sua própria vida e alcance seus objetivos.

Eu espero... pois carrego comigo a certeza de que, se tiver que dar certo, vai dar. Se for verdadeiro, tudo se ajeita no final. E nem o tempo é capaz de apagar o verdadeiro. Manter distância não significa ir embora. Eu sempre estarei aqui. Eu sempre estarei por perto, para aplaudir-te de pé e para sorrir, se você precisar de sorriso; para chorar, se você estiver com os olhos lacrimejados; para dar as minhas mãos, se você quiser minha companhia.

Não quero ser alguém que vai embora facilmente. Estou aqui para ficar e fazer a diferença que posso fazer”. E quero que se lembre de que sou a sua amiga. Sempre serei. 
Viu? Essa é a nossa canção. Não há como ouvi-la sem ter você em meus pensamentos.
Não desistirei jamais de você. Por mais que você nunca possa dizer o mesmo para mim, por mais que o ‘final’ que tanto espero não seja o de estarmos juntos, e você até, quem sabe, encontre outra pessoa, nunca desistirei do que sinto por você. Você me disse uma vez que o seu objetivo, naquele momento, era me fazer feliz. Bem... esse é o meu objetivo na vida.


Foto: Bruna Sousa. Cibratel II - Itanhaém, 17/01/13           Houve um tempo em que a minha rotina era acordar às 6h30 da manhã, tomar b...

Foto: Bruna Sousa. Cibratel II - Itanhaém, 17/01/13
          Houve um tempo em que a minha rotina era acordar às 6h30 da manhã, tomar banho, engolir rapidamente o achocolatado, pegar a bike e pedalar por 15 minutos até o colégio, no bairro vizinho. Durante o trajeto, sempre as mesmas pessoas: o velho jardineiro carregando, em sua Calói vermelha enferrujada, o mal tratado cortador de grama; a moça da casa de ração que caminhava do lado errado da calçada, sempre com uma calça preta, camiseta em tons claros e sapatilha que combinava com os brincos e demais acessórios; o velho casal da rua de baixo, que sempre subia vagarosamente as duas quadras e eram os primeiros a comprarem o pão do estabelecimento que era bar, lanchonete, padaria, restaurante, mercadinho e ponto de encontro dos aposentados do bairro, aqueles típicos lugares pequenos que todo bairro tem; o bonitão trancava o portão da velha casa amarela, onde morava com a idosa mãe, e corria até a academia do outro bairro; no mesmo instante em que os carros começam a circular, e não eram muitos, cerca de 10 ou quinze em toda a avenida, o ônibus das 6h50 levava os estudantes para a aula das 7h; trensinhos carregavam as poucas pessoas do bairro para mais um dia de trabalho no centro da cidade. Já quase chegando na divisa dos bairros, encontrava ela: naturalmente loira dos olhos verdes, grandes e marcantes olhos verdes e, na época, estava com os cabelos avermelhados. Ela, uma de minhas melhores amigas.
          Houve um tempo em que eu tinha duas melhores amigas. Não sei dizer se foi a melhor época da minha vida, mas, sem dúvida, inesquecível. Éramos inseparáveis. Conhecíamos uma a outra melhor do que a nós mesmas. Ríamos de modo sincero e espontâneo. Brincávamos de modo sério e divertido. Aqui não se encaixa a frase 'eu era feliz e não sabia'. Não, nós sabíamos sim. Nós aproveitávamos. Nós crescemos juntas, em muitos aspectos. Até que... nos separamos. E não por vontade própria, mas justamente por crescermos e seguirmos nosso caminho. Nos separamos e continuamos a crescer individualmente.
          Houve um tempo em que eu gostava de estar em casa. Na frente dela haviam dois balanços. As madeiras pintadas de azul e vermelho se destacavam no meio do verde dos coqueirais. Os balanços eram na praia. A areia fresca e quentinha marcava nossas pegadas. Quatro ou seis. Hoje são apenas duas, as minhas. Hoje não há mais balanço. Apenas o horizonte e eu. Apenas o nascer do sol e eu. As ondas do mar me perguntam onde elas estão. Fico em silêncio. Poderia responder, mas permaneço em silêncio. Olho para o relógio: 6h55. Se eu correr, encontro o jardineiro, a moça da casa de ração,  o velho casal da rua de baixo, o bonitão,  os mesmos carros, o ônibus e o trensinho. Mas não a encontro. O sol já está no alto do céu, mas não deixa de ser deslumbrante seu reflexo em alto mar. Observo por mais de meia hora. São 7h37 da manhã de um novo dia, de um novo ano, de uma nova vida. Bom dia, Itanhaém.

          Se, em janeiro de 2012, alguém me dissesse o que iria me acontecer durante todo o ano, na certa eu o chamaria de louco, gozaria...




          Se, em janeiro de 2012, alguém me dissesse o que iria me acontecer durante todo o ano, na certa eu o chamaria de louco, gozaria de ideias tão absurdas... mas tudo isso aconteceu. 2012 foi o ano em que eu conheci a sensação de estar feliz e incompleta, ao mesmo tempo. Foi o ano em que eu percebi que me sinto à vontade, sendo eu mesma. O ano em que tudo o que parecia importante passou a ser segundo plano. O ano em que me apaixonei pelo impossível.
          Não sei dizer quando surgiu, onde começou e nem o porquê. De repente eu estava enviando torpedos, ligando, marcando encontros. Eu estava imersa em um mundo nosso, só nosso e de mais ninguém. De repente eu estava entregue a um sentimento totalmente novo, para mim. Eu não precisava fingir felicidade. Ela estava ali, diante de mim, estampando o riso mais sincero nos meus lábios. 
          Infelizmente as coisas não duram para sempre. Eu sabia que aquele momento iria acabar, mas ainda não estava preparada. Acabou cedo demais. Acabou sem que eu pudesse dizer que aqueles poucos meses me fizeram crescer. Acho que finalmente saí da fase ‘namoro de adolescência’ para viver um romance de verdade. Ela me salvou. Salvou-me também ao me fazer perceber que nada dura para sempre. Nem as coisas boas, nem as coisas ruins. Salvou-me ao me libertar do que não valia a pena lutar. Salvou-me de viver uma vida vazia. Salvou-me em diversas formas, mas a forma mais bonita foi salvar-me da realidade, da areia movediça que se tornou a minha vida. Ela salvou-me de mim mesma.
          Uma verdadeira heroína. Heroína camuflada que não gosta de se mostrar, que ignora o quão bom é o seu coração, que não acredita em si mesma, que possui milhares de defeitos, mas é única e perfeita, para mim, que se esconde atrás de uma máscara de multipolaridade, que teme ser feliz, que demonstra secura, mas, lá no fundo, alimenta uma alma limpa e generosa, que coloca a família no mais alto pódio, que se diz não se preocupar com os outros, mas se preocupa com alguns 'outros' que ama. A minha heroína, cujo olhar me acompanhará por onde eu for, tuas mãos segurarão as minhas quando houver medo, teus lábios eu beijarei todas as noites, durante meus sonhos e, pela primeira vez em toda a minha vida, serei altruísta. Por mais que doa, em meu coração, sei que o melhor é você viver uma vida sem mim.

A chuva cai. O barulho sobre o telhado é abafado pelos meus pensamentos, que falam alto. Eles clamam teu nome. Quando foi, exatamente, que...

A chuva cai. O barulho sobre o telhado é abafado pelos meus pensamentos, que falam alto. Eles clamam teu nome. Quando foi, exatamente, que isso começou? Existe uma verdade por trás de nossa história. Destino ou acaso? Nunca acreditei em destino. Nunca acreditei que houvesse, de fato, um caminho traçado para cada pessoa. Mas tem sido obras do acaso? De fato, uma verdade.

A chuva cai. Enquanto observo o namoro da água com o solo, pela janela, vejo você... não sei de onde surgiu, mas lá está você. O telefone me coloca de volta à realidade. Uma mensagem. É você. É sempre você. E meu coração sorri. Mais uma vez.

Quando brigamos, um pedaço de mim se fere. Quando estamos longe, só conto os minutos para poder estar com você. Quando estamos perto, só desejo que esse momento se repita por muitas e muitas vezes. Você é meu vício, não por ser um caso amoroso, mas, principalmente, por ser a pessoa com quem compartilho bons e maus momentos, por ser a pessoa com quem gosto de caminhar, por ser a pessoa com quem quero, sempre, chamar de amiga, acima de tudo.

Meu vício. Meu vício eterno. Quando foi que isso começou? Eu mentiria se dissesse que 'tudo são flores'. Não são. Longe disso. Longe da perfeição. Ela nem existe. Mas ainda assim, você é o meu vício. Aquele que não quero largar. Aquele que remédio algum seria capaz de curar. Meu vício para todas as horas. Meu vício em tudo. Só você. 

         Sorria. Abriu a janela do ônibus com o cuidado de não criar suspense ao próprio coração: avistou as tão belas e distantes mon...



         Sorria. Abriu a janela do ônibus com o cuidado de não criar suspense ao próprio coração: avistou as tão belas e distantes montanhas que tantas vezes desenhava em seu caderno da infância;
         Observou o velho jardineiro, ao pé da casinha de madeira, cultivando as lindas rosas e petúnias que encantavam o caminha da antiga estrada de terra;
Sentiu o puro ar de vida no campo, que tantas vezes desejou enquanto respirava a poluição da cidade grande;
         Ouviu o canto dos pássaros no alto das arvores, ou voando em contraste com o perfeito céu azul, numa sintonia impecável e emocionante, bem distante da cinza vista da metrópole;
         Fechou os olhos e se viu, aos 18 anos, abandonando o paraíso que julgou ser inferno, prometendo a si mesmo nunca mais voltar.
         Havia encontrado o caminho de volta para casa, para seu eterno lar, onde tantos, com a saudade acompanhada da esperança de tê-la de volta como parte do interior, a aguardavam.
         As lágrimas brotaram em seus olhos, se transformando em arco-íris e provando que, quem parte, sempre volta para seu interior.

O sol bem ao centro do céu. O relógio marca exatamente 12h. A igreja, a três quadras dali, badala o sino em 12 longos toques. Baixinho...



O sol bem ao centro do céu. O relógio marca exatamente 12h. A igreja, a três quadras dali, badala o sino em 12 longos toques. Baixinho, o inspetor de 60 anos, simpático velhinho com o bondoso aspecto de vovô, varre o pátio da escola de fachada azul. Dona Maria, cozinheira há mais de 30 anos, prepara a merenda para as crianças da tarde. Cinthia e Gabriela, ajudantes de cozinha, esperam na saída com o carrinho carregado de mupy. Bate o sinal, as crianças que passaram a manhã com seus professores, correm para o portão, pegam os saquinhos de mupy e se dirigem aos braços de seus pais. Todas entre 3 e 12 anos. A maioria, 6, como eu.

***

Lembro-me perfeitamente os detalhes. Eu não tinha pressa em sair da sala. Sabia que meu pai ainda não estaria lá.  Ele me buscava sempre depois das 13h, em seu horário de almoço. Eu chegava a ver as crianças da tarde. Vários rostinhos novos, animados para mais uma tarde entre pinturas, futebol e as primeiras letras, os primeiros números. Não tinham nomes para mim. Apenas esse: “as crianças da tarde”. Exceto uma. A Ruivinha. Era assim que eu a chamava. Olhos castanhos claros, esverdeados. Olhar superior e uma beleza incomparável. Ela nunca falava comigo. Apenas me olhava intrigada. Eu retribuía o olhar.
Certa vez, minha professora, a Shirley, sentou-se à mesa de merenda, comigo, enquanto eu esperava meu pai e saboreava o delicioso mupy de maçã, meu preferido. Ela era a única que sabia do meu namoradinho secreto, o Caio. Coisa boba de criança. Eu nem sabia o que era namorar. Foi a ela que eu contei que Caio tentou me beijar. Era um absurdo crianças da nossa idade namorando. Beijando na boca, então... Shirley compreendeu e me incentivou a crescer, esperar alguns anos antes de aceitar o primeiro beijo. Ela me disse que deveria ser com um alguém especial. Hoje eu tenho vontade de encontrar minha professora e dizer “Shirley, você tinha razão. Deveria ser com alguém especial. E foi”.
No dia seguinte, no mesmo banco, a professora se sentou, bem ao meu lado. Perguntou-me se eu já havia rompido com o Caio. Antes que eu pudesse responder, a Ruivinha apareceu. Meia hora mais cedo que o normal. Teria passado direto e sentado na outra ponta do banco, não fosse o convite da professora para juntar-se a nós. Anna Luisa. Esse era seu nome. Ainda hoje fico avermelhada toda vez que me lembro de que a minha professora partilhou com a desconhecida o meu segredo. Ela queria que a Ruivinha, ou melhor, a Anna, me ajudasse a tomar uma decisão. No dia a seguinte, Anna estava lá, à minha espera, na saída. E assim passamos todos os dias daquelas três semanas seguintes. Dias antes de entrarmos em férias, Caio me contou que iria morar em São Paulo, com a família. Nunca mais nos vimos.
Em 98, Anna e eu já tínhamos criado laços. Nunca tive, até então, uma amiga como ela. Víamo-nos todos os dias, entre as 12 e as 13 horas. Eu estava completando 8 anos de idade. Ela, 10. No ano seguinte ela foi para o ginásio. Eu fui transferida para o colégio novo, perto de casa. Foi nossa primeira despedida. Passamos os dois anos seguintes sem contato. Na virada do século, desejei reencontrá-la. Mas não tinha nem seu telefone. Século novo, colégio novo, vida nova... um velho rosto. Lá estava a Ruivinha. Olhos castanhos esverdeados, olhar superior e uma beleza incomparável. Essa era a Anna. A minha pequena Anna Luisa.
Foi aos meus 13 anos, ela com 15, que tivemos a tal ‘conversa’. Ela confessou estar confusa. Logo pensei que fosse a relação com os pais. Não via a mãe desde que tinha 5 anos e estava brigando muito com o pai, nos últimos meses. Mas era um pouco mais complicado.
- Acho que não gosto de homem, como deveria gostar.
- Como assim, Lu?
- Tenho vontade de beijar garotas. Tenho vontade de andar de mãos dadas com uma garota, sabe? Sei lá. Não tenho vontade de ficar com um garoto. Queria que meu primeiro beijo fosse especial. E não me vejo com nenhum garoto. Não me vejo dando meu primeiro beijo com um garoto. Olha, não quero que nada mude entre a gente, mas não consigo mais esconder. Eu tenho vontade de beijar você. Você deve me achar muito estranha, agora, né?
Na verdade, não. Anna só tinha a coragem que eu achei que nunca teria. Falar sobre sentimentos, ainda mais sobre esses. Eu também tinha vontade de beijar uma garota. Não uma garota qualquer, mas ela. Aquele dia terminou como um ponto de interrogação. Eu não sabia o que dizer quando a visse novamente. E o beijo, seria no rosto? Ou melhor, um aperto de mão? Um aceno, talvez? Tudo tão confuso. Não nos víamos mais nos corredores do colégio. Acho que nós duas estávamos nos evitando. Era uma quinta-feira. Se me lembro bem, em outubro. Eu estava pegando minha bicicleta, quando ouvi chamar meu nome. Ela agiu como se nada tivesse acontecido. Queria me acompanhar até minha casa, como sempre fazia.
A rua era larga. O canteiro central estava coberto pelas palmeiras. As casas de veraneio, vazias. Gostávamos dali porque era calmo e silencioso. Havia um banco, embaixo do coqueiro da terceira casa da esquerda, na segunda quadra. Costumávamos sentar ali todas as tardes, esperando o sol do meio dia baixar. E então nos sentamos. Eu me lembro que, naquela tarde, conversamos sobre nossos planos, sobre faculdade, ter 18 anos, aproveitar a vida, viajar, conhecer a Itália, a Irlanda (a mãe dela é irlandesa). Falamos sobre nossos pais, sobre a escola, sobre os cursinhos, meu time de vôlei, o time dela de futsal... não houve um toque, não houve um olhar. Simplesmente aconteceu. Era nosso primeiro selinho, não era um beijo de verdade, mas era especial. A professora Shirley tinha razão.
Caminhamos duas quadras. Foi quando eu percebi que estava a uns três passos adiante dela. Ela estava inquieta, olhando para o chão, chutando pedregulhos da calçada, com um sorriso molhado e certa tristeza no olhar. Larguei a bicicleta e voltei os três passos. Ela levantou a cabeça, olhando nos meus olhos e perguntou:
- Promete não esquecer disso?
- Disso o quê?
- De tudo! De quando nos conhecemos, de quando brigamos, de quando contamos piadas, de quando eu pulo no seu colo, desse beijo...
- Se te conheço bem, você nunca me deixará esquecer – havia um sorriso na minha fala, tentando disfarçar o medo de perguntar o porquê daquela conversa e procurando aliviar a tensão. Mas ela não sorriu.
- Talvez eu não esteja aqui para te lembrar.
- Do que você está falando?
- Vou morar com minha mãe. Na Irlanda.
Aquela foi nossa segunda despedida. Não consegui dizer mais nada. Só abracei e chorei. E chorei tanto que as lágrimas não me permitiram vê-la partir. Mas eu sei que ela também chorava. Chorava muito. Saiu quase que correndo daquela rua.
Um ano se passou. Eu estava com quatorze anos quando dei meu segundo selinho. Namorei a Camila por oito meses. Ela tinha problemas com drogas e saiu da escola pouco depois que terminamos. Na verdade nem era, de fato, um namoro. Apenas estávamos juntas. Curtíamos uma a outra. Camila resolveu o problema com as drogas e engravidou aos dezesseis anos. Não cheguei a conhecer a filha dela. Recebi uma carta com uma foto, meses depois. Nesse tempo, minha vida havia voltado ao normal. Anna retornou da Irlanda em 2 de setembro de 2006. Lembro-me bem da data porque fizemos uma festa surpresa para dois colegas de sala que faziam aniversário. Ela simplesmente apareceu na festa, sem avisar.
Nos beijamos em 22 de setembro, mas eu já havia me apaixonado por outras pessoas. Ou melhor, por outra pessoa. Meu amado Ser, meu primeiro beijo de verdade, o que causou nossa terceira despedida. No início de 2008 voltamos a nos falar. Ela morando na capital. Eu, no litoral. No ano seguinte, entrei na faculdade e fui morar na capital. Estávamos começando a nos entender, quando tudo de repente acabou após uma traição e uma gestação. Foi a quarta despedida. Ela perdeu o bebê aos 4 meses. Pouco depois, perdeu a mãe. O pai, decepcionado, se isolou. 
Com o passar dos anos, as coisas foram melhorando. Os problemas, se revolvendo. A relação com o pai, se reestabelecendo. Aos poucos fui enxergando, novamente, a minha Ruivinha naquela Anna mais velha. Infelizmente não possuímos o poder de controlar a vida por completo. Aos 24 anos, Anna foi diagnosticada com LMA – leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer com baixo índice de mortalidade. O tratamento correto, as sessões de quimioterapia indo bem. Eu a veria na segunda-feira, 3 de setembro de 2012, após a faculdade. O telefone toca às 11 horas. Anna se foi. E eu não dei meu último adeus.
***